sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

enquanto isso, no bar...

"Fica tranquilo. Ninguém troca um amor aristotélico por um amor platônico..."

esses meninos...

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

saladas : salada morna com frutos do mar

Salada é coisa séria seríssima, e em tempo de dieta ( hahahahahaha...) torna-se assunto da mais alta importância e que requer toda nossa atenção. Uma salada, assim como o peixe grelhado, pode ser a coisa mais sem graça do mundo, aquele tipo de comida sem sabor, sem alegria e sem sal, que pisca e avisa para você: morra, sua sem graça, que você está gorda, é culpada, e só vai comer coisas insossas para o resto da sua vida de gula e pecado...

Isso acontece quando a comida é feita com tristeza, culpa e depressão, sob a opressão dos quilos a mais... e aí a pescada branca é quase esturricada de tão passada, o alface aparece inteiro à mesa, sem nem um azeitinho a dar-lhe brilho, o tomate nem é cortado, o caldo foi tão coado que a menor partícula de gordura se esvaiu e do sabor dos vegetais restou uma água morna e turva, que você bebe porque acredita que lhe fará bem, e por nenhuma outra razão....

Nada disso acontece na mesa da Lulu, que não obstante querer ficar elegante e bela, prefere ter com musa alimentícia uma Nigella, com toda sua sensualidade, beleza e generosidade carnal, a uma über model de 40 quilos que nem deve saber o que é comida, ou, se sabe , depois corre logo ao banheiro mais próximo e enfia seus dedinhos na garganta até que saia, privada abaixo, a última víscera engordativa. Pronto, falei. Viva o número 42 , vivam todos os números de corpos felizes... (ok, fá... 44, 46....)


Voltando à salada... Eu adoro salada, já disse, assunto sério que merece toda nossa dedicação, amor e respeito. Eu faço assim: primeiro, gosto de ter na salada várias alfaces diferentes. cada uma com seu gosto e textura: a alface americana, crocante e verde água, a alface romana, uma alface crespa, alface roxa, miolos de pés de alfaces....Quanto mais variedade melhor, é uma delícia sentir a mistura dos sabores das diferentes bichinhas e, além do mais, fica lindo no prato. Gosto de rasgar as folhas com minhas mãozinhas, e fazer um prato bem bacana. Para quem gosta, um amargo para dar contraste pode ficar bacana também, eu não curto muito, mas às vezes coloco umas folhas de radicchio só para ter um belo vermelho em meio a tanto verde. Amo agrião e rúcula, embora deva confessar que demorou muito tempo para entender qual é qual.

As folhas devem estar hiper secas, e por isso toda mulher e homem modernos que se cuidam e comem folhas ( paisagem, como diria uma professora nossa) devem ter um daqueles trecos mágicos de secar folhas, cujo nome eu não sei mas que é fundamental: você coloca os vegetais banhados lá dentro, gira, e as folhas saem secas e viçosas, prontas para o abate.

Aí, o molho. Mais tarde escrevo sobre os diferentes molhos de salada que gosto, e cada um também pode dar sua receita, mas fiquemos no básico: três para um, três medidas de azeite para uma de vinagre. Como eu não gosto de vinagre e sou moça de finíssimo trato, nas minhas saladas só entra aceto balsâmico, ás vezes um limão... mas vou de aceto.
Como era ano novo e não ficaríamos só nos verdes... então entraram em cena as lulas e os camarões... ( quem entende de dieta começou a rir nesse momento...)

Você pode grelhar ambos, que é mais sensato e fica ótimo também. Nesse dia, comemorativo, uai, passamos as lulas e os camarões numa farofa grossa de pão amanhecido ( é só esmigalhar o dito) e jogamos, primeiro as lulas, depois os camarões, no azeite bem quente. Deixe o menor tempo possível, para que os sucos e a sustância do molusco e do crustáceo não se percam. A salada base já está temperada, esperando seu par perfeito, como uma noiva perdida em dia de casamento ( nossa, me empolguei agora!). Aí você joga os bichinhos do mar em cima, quentes, e fica uma salada com frutos do mar morna, deliciosa, linda, gostosa e chic. Para começar o ano, foi ótima. E tim-tim.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Em direção ao Sul Atualizado



Assisti ontem, porque é período de férias e então a vida é feita de namorar, ir ao cinema, cozinhar, comer, beber, ver e falar com amigos, dormir bastante, escrever e ler. Quem conseguir inventar uma rotina melhor que me conte (ok... um mergulho em Fernando de Noronha também cairia bem, mas não se pode ter tudo nesse mundo..., não é meisxmo? )

É um filme BEM bacana, e um pouco impressionante. A história é a seguinte: década de setenta, Haiti, numa pequena praia paradisíaca ao lado de Porto Príncipe, com um hotelzinho de bangalôs. Uma praia cheia de turistas mulheres e desacompanhadas, mais velhas, com seus cinqüenta e sessenta anos, que lá, sozinhas, basicamente passam as férias transando e namorando os negros bonitões e fortes locais. Passeiam, transam, beijam na boca, e em troca dão dinheiros e presentes. É isso. Elas são brancas, canadenses, americanas, inglesas, bem resolvidas financeiramente, estão sozinhas e vão para lá ter orgasmos. Eles são negros, jovens, pobres, muculosos, lindos, e haitianos, moram em Porto Príncipe, não precisa dizer mais. Eles não podem comer no restaurante do hotel, elas não conhecem nada da vida deles, mas na praia pode tudo. E tudo acontece. O tipo do filme que tinha tudo para dar errado.

Podia ser moralista, sobre a busca vazia do sexo e tal... podia ser mais um filme clichê sobre a mulher velha e triste com a vida que se descobre no mundo primitivo de uma praia ou uma locação paradisíaca qualquer graças à ajuda de algum local bonitão. Podia ser um filme tipo denúncia, daqueles chatos.

Mas o diretor consegue fazer um filme inquietante, com grandes atrizes e atores, sobre racismo, sexo, desigualdades culturais e sociais, colônias, metrópoles e colonizados tudo o mais, sem cair em facilidades. Lôas especiais para a musa Lux Luxo dos anos setenta, que aqui aparece em todos os seus sessenta anos, madura e muito bela: Charlotte Rampling brilha como atriz no papel de Ellen.

Uma professora de literatura francesa, classuda e inteligente, um tanto cansada e entediada com a vida, que ali se encontra e se sente bem e em casa, até que chega Brenda querendo amar de verdade e as coisas se deterioram até um fim. Ménothy César faz o papel de Legba, o preferido e escolhido de Ellen, mas também uma paixão antiga de Brenda, que teve com ele o primeiro orgasmo de sua vida (ela, 45 anos, ele, 15) e volta a Porto Príncipe em busca de uma história de amor com Legba.

Em volta de todos esses problemas, em meio à tensão social de um país miserável que vive sob uma ditadura violenta e repressora, desenvolvem-se as nossas frentes conflitos de gente grande. Gente que é preta e que é branca, que é mulher e homem, que é preconceituosa e tem "tesão no primitivo", que acha que não é racista, que tem que servir os brancos conta quem os pais lutaram, que não tem espaço em casa para ser mulher, velha e sexualmente ativa, que gosta de sexo, que gosta e precisa de dinheiro e presentes, que se apaixona, que não sente nada, que envelhece, que não tem saídas, que arruma saídas, que ama e que não ama. Sem meias palavras ou acordos fáceis.

Vão ver. Dos bons.
atualização:
Lulu deu antes, mas o Contardo Calligaris, na folha, foi ver também e mandou bem nos comentários. O link par aler a matéria completa é esse daqui, mas acho que para entrar tem que assinar a porcaria da falha... enfim...http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0401200714.htm
fica uma palhinha:
"Os "tristes trópicos" de quem vive no terceiro mundo são a condição necessária para que existam os trópicos alegres do turista sexual. Mas a razão disso não é só econômica.
Explico. Na vida erótica, funciona uma espécie de proporção: para desejar sexualmente, é como se precisássemos, ao menos por um momento, despojar o outro de sua dignidade subjetiva, considerá-lo apenas como corpo. É por isso que, para alguns, é impossível desejar e amar o mesmo outro. É por isso que a maioria, na hora do sexo, não sussurra palavras de carinho, mas solta "injúrias" que rebaixam a parceira ou o parceiro, ou seja, que o transformam em carne entregue ao desejo. Nada de "meu anjo". Na cama, é "puta" e "cafajeste"."

segunda atualização:

"E o Sérgio falou: "E o Marcelo Coelho discorda do Calligaris", e Lulu foi lá ver!! Como o Diário quer ser um espço democrático, e a discordância é das boas, aqui vai uma palhinha do Coelho também:

Acho também que o turismo sexual não se dá apenas na direção apontada por Calligaris: brancos do primeiro mundo se esbaldando nos corpos miseráveis. Minha própria experiência como turista (não sexual) registra uma espécie de excitabilidade com toda população estrangeira. O fato de não pertencer ao local que estou visitando (Bruxelas ou Maceió) estimula as célebres fantasias de uma aventura inconseqüente. Não é só que as pessoas se transformaram em meros corpos; a diferença de linguagem, de costumes, de jeito, faz de uma pessoa qualquer, Fulana ou Beltrana, não um corpo anônimo, mas um corpo também dotado de outra coisa, a nacionalidade. “Quero transar com essa mexicana”, pensa o brasileiro ou o nicaragüense, como se a “mexicanidade” daquela mulher, que talvez não seja etnicamente distinta das de seu país natal, constituisse para ele um fator a mais de excitação, e trouxesse consigo um sabor, um cheiro diferente, que acrescenta um tempero à condição humana universal. Não é um corpo simplesmente, mas um corpo mexicano... belga, russo, nigeriano, tailandês.

“Comment peut-on être persan?” (como é que alguém pode ser persa?), perguntavam-se os parisienses na célebre página de Montesquieu. Já existe algo de sexual, e também de perverso, nessa indagação. Não há propriamente objetos puros num desejo sexual; ninguém transa apenas com um pênis ou uma vagina; há o objeto e sua circunstância. Quanto mais imaginária, mais longe nos leva. "

Leia o artigo de Contardo Calligaris em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0401200714.htm

Leia o artigo do Marcelo Coelho em
http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Pederasta passivo

Quando tinha uns nove anos, estava viajando com a família, meu pai, a esposa dele, minha segunda mãe, o filho dela, meu irmão. Ele, uns dois anos mais velho que eu, andava imerso na leitura de Capitães da Areia. E de repente, todos reunidos no quarto do hotel, fazendo nada em família juntos, ele pergunta:

- Mãe... O que é pederasta passivo?

Aquele silêncio no ambiente. Passa um tempo, nossos pais se olham... meu irmão espera... e eu, toda desenvolta, do alto dos meus nove anos, respondo, sem entender como esse povo não sabia uma coisa tão óbvia:

- Ué... gente, pederasta passivo é um cara que fica andando na rua calmamente.

E pronto.

:)!

Nomes de bichos 2

Tive outros bichos, ao longo dessa vida. Quando criança, uma gatinha siamesa linda, que se chamava Pois é. Ela vinha, sempre que alguém falava Pois é... a bicha aparecia! Era o máximo. Depois, teimei que queria um cachorro. Com uns doze anos, queria um poodle. E lá fomos comprar o poodle, que tinha pedigree, e o criador exigia que o nome começasse com “R” porque cada nova geração era uma nova letra no alfabeto. Tá. Quem conseguir bolar um nome bom com erre que me fale. Batizamos a nova “membra” da família de Rosquinha. Eu achei o nome o máximo, mas sempre me perguntavam... “Rosquinha...? Por quê? ...” e o pior é que cachorro com pedigree tem certidão de nascimento, e na hora de batizá-la o tal do criador não acreditava no nome que tínhamos dado. Eu tentei: “ Bota Rosca, então... para ficar mais sóbrio!”... Nada... E o nome dela ficou assim: Sunny Bachalines (o nome da família e a linhagem, que vêm primeiro) ... Rebeca Rosca. Sim, queridos leitores, minha poodle chamava-se Rebeca Rosca. O tal do criador que inventou o Rebeca e a gente achou que ficou poético e assim ficou. Saudades imensas da Rosquinha...


Nomes de bichos

Os leitores atentos do Diário certamente já perceberam que tenho uma gata. Ela nos foi dada de presente, pela Helena, personagem já célebre e famosa por essas plagas, que ligou e invocando toda sua ancestralidade judia, contou que a gatinha estava na rua, passando fome e frio, que seria entregue à carrocinha no dia seguinte e que precisava de família e donos. Estávamos um pouco traumatizados, pois acabáramos de perder nossa gatinha por uma doença horrível cujo nome não me lembro nem quero lembrar. Mas os apelos de Helena foram irresistíveis, e na mesma noite ela apareceu, com a gata, caminha, comida e uma certa culpa... “eu num forcei a barra, forcei?” Forçou nada, a gata chegou, se acomodou e logo tornou-se nossa dona, com toda a majestade e beleza que somente os felinos têm.

E aí bora arranjar um nome. Eu quis Mel porque estava numa fase romântica, a gata tinha olhos de mel era fácil de guardar, falar e tal. Toca pro veterinário, e quando, toda contente, fui falar o nome da pimpolha... Hum... Mel... diz a atendente, imune aos charmes da gata que já se assustava porque ela sabe de todas as coisas, “deixa eu arquivar aqui com os outros vinte...” Pois é... nossa gata seria a vintésima primeira Mel daquele veterinário. Quem conhece a Lulu sabe que isso é inadmissível, e logo nossa Mel virou Melancia. Aí a Helena veio visitar a gata, sob o pretexto esfarrapado de ver a amiga, e como ela é punk com direito à banda de rock e tudo, chamou a Mel de ... Meleca.

E pronto, pegou. Nossa gata, então tem três nomes: Mel, Melancia e Meleca. É claro que ela não atende por nenhum e como boa gata que é, só vem quando dá na telha, ou tá frio, ou tá com fome...

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007