sexta-feira, 6 de abril de 2007

sexta feira santa


e...
na sexta feira santa comeremos lombo de porco, com damascos. E arroz de linguiça.
Assim, transgredimos as leis judaicas, cristãs e islâmicas rapidamente, de maneira democrática e justa.

E hoje num tô nem aí pro Babe, o porquinho fofo trapalhão.
feliz feriado a todos
lulu.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Personagens da literatura que poderiam ir já pra cama da lulu

Kowalski – O bonde chamado desejo, desde que fosse interpretado pelo Marlon Brando e, desesperado, gritasse meu nome bêbado na rua da frente do meu prédio. Luaaanaaaa.... usando calça jeans e camiseta branca apertada, bem entendido.

Conde Drácula- dispensa comentários.

Conde Vronski – antes de se apaixonar perdidamente pela Anna Karienina e virar meio bobão. É lindo, sabe dançar, usa uniforme e ama a mulherada.

Aquiles – apesar de se fantasiar de mulherzinha - e daquele calcanhar - é bão também. Guerreiro forte e honrado, quase um deus, essas coisas...

Queequeg – do Moby Dick, pelo exótico da coisa. E para ver se era tatuado lá também, o personagem mais bacana e interessante de Moby Dick.

Lancelot, do ciclo arturiano – porque o Rei Artur é um corno muito manso demais pro meu gosto e o Lancelot, o Amante, é que dá um belo dum caldo.

Peter, do Guerra e Paz – porque ele é grande, forte, meio feio, tem um bom coração e bebe pra cacete, além de ser um bobo que se perde pelas mulheres...

Valmont, do Relações Perigosas. – sedutor, mas cai no final. Hahahahahaha!!!!

Pedro Bala, do Capitães da Areia – gostoso, líder, lindo, tudo de bão, vai lá e liberta amada do reformatório e tudo, além, é claro, de lutar pela Revolução.

Rhett Butler – Outro sedutor, com o bigodinho e tudo, que coloca a chata que se acha da Scarlett no seu devido lugar.

Bond, James Bond. – bom... principalmente pela fantasia de ser uma Bond Girl. E aquele sotaque. Mas deixo bem claro que fico com a versão Sean Connery da coisa.

Aragorn, do Senhor do anéis – que faz aquele tipo herói alto, solitário, misterioso – sem nome e sem sobrenome - e um tanto infeliz. Irresistível, a infelicidade de um homem sexy e sensível.

Tomas – da Insustentável Leveza do Ser. Além de saber amar como ninguém – e sem metafísica – um cara legal, apaixonado pelas mulheres e pelo sexo. Poderia vir limpar os vidros lá de casa numa boa. Ou teríamos uma cachorrinha, a quem daríamos croissants todas as manhãs.

Sam Spade – claro, na figura do Humphrey Bogart. Nada como um cara que dá uns socos por aí e coloca um bife no olho roxo enquanto lhe servimos aquele uísque ( para ele, não para o bife) , às oito da manhã, depois de uma noite no submundo do crime lidando com os tipos mais exóticos e estranhos. Eu seria a loira misteriosa e má, bem entendido.

Nick Charles – na mesma linha do Sam Spade, para ser a grande mulher da vida dele, Nick amava Nora e Nora amava Nick, e tudo era uma grande gargalhada em meio aos julgamentos e problemas das outras pessoas. E viva o Dashiel Hammet.

Gatsby, The Great Gatsby – chique, sofisticado, milionário, apaixonado, inteligente, sofredor....

Também ficaria com o amante da Lady Chatterley, é claro, e num ia precisar trocar nem uma palavrinha com o moço.... conversar pra quê, num é mesmo?


bom, devo ter esquecido vários... trata-se de uma lista em eterna expansão, assim espero...

Leiam também as listas do Polzonoff,
do João Philippe
e do Alex, que me trouxe prá essa história.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

quem eu levaria...


O Alex perguntou quais personagens da literatura eu levaria prá cama.
Sobre os personagens eu ainda não sei, tô fazendo a lista,
mas quanto ao escritor...

ai, ai... Camus....

as garotas de São Paulo

Do meu grande amigo filósofo e cearense:

Porque meu grande choque, ao chegar do Ceará, foi descobrir que as garotas de São Paulo, lá do curso de filosofia, tão bonitinhas, tão práfrentex, tão moderninhas...
achavam que junto ao sexo, deveria haver metafísica.
Naquele instante, pensei : fudeu.... o quê vim fazer aqui?

onde já se viu, sexo com metafísica? não pode.... é uma trabalheira danada e acaba estragando a coisa...

segunda-feira, 2 de abril de 2007

pessach

Em tempos de páscoa judaica, onde se comemora a travessia do deserto e conquista da liberdade, meus profundos desejos de paz no Oriente Médio, com o fim da opressão, da intolerância e do ódio, e a criação urgente, imediata e mais que justa de um Estado Palestino, com diálogo e possibilidade de ver, conviver e estar com o outro.

As-Salāmu `Alaykum
Shalom Aleichem

que a paz esteja com todos nós, em todos nós.

Boa páscoa a todos, boas travessias, todos os dias, a todos.

Que todos conquistemos nossas liberdades, sempre, e que o outro possa conquistá-las também.

lulu.

as palavras


Algumas palavras não combinam. Soam tão esquisitas que ficam fora do nosso dicionário, são rejeitadas sem clemência e mesmo sem julgamento; de tão estranhas ficam para sempre fora do lugar. As minhas palavras assim, além da já tão dicutida "xoxota" e do já célebre " sovaco", poderiam ser também trivial - odeio pessoas que dizem: isso é trivial. Que coisa! nada é trivial nesse mundo - e também xingamentos racistas. Os últimos, especialmente, estão fora do meu vocabulário.

Tenho implicância também com pessoas que dizem, sempre em tom professoral: Veja bem... como se fosse descortinar o mundo a sua volta e explicar finalmente a verdadeira verdade sobre tudo. Acho hiper metido ( quem disse que eu não vendo bem? , como é que vc sabe o que é ver bem e ver mal? ai que ódeo!! ). Se não tiver jeito, fico com o Olha só... carioca, que é pelo menos um pouco mais simpático.

Outras palavras são lindas e serão sempre lindas, e soam gostosas e são verdadeiros aconchegos.

O título de um dos posts abaixo, por exemplo. Esquisito prá caramba. Cadê?

Como assim? parece bidê, embora bidê seja uma palavra muito muito simpática. Daria até um nome de bicho legal, não fossem as conotações negativas que a palavra traz consigo: Vem bidê! Senta, bidê!. Bidê é simpática, assim como atum. Atum é uma palavra bem humorada, a gente fala e já dá vontade de rir, tenho uma amiga cujo cachorro chama atum. Acho bacana. Bacana, aliás, é outra palavra que uso sempre, nada expressa melhor a bacaneza de algo quanto a palavra bacana, uma pessoa bacana não é somente legal, não é somente gente boa, não é somente bela... é... Bacana. Acho bacana isso.


Agora... das partes do corpo, fora o odiável suvaco (e escrevo com u mesmo que é para todo o horror da palavra poder manifestar-se em sua inteireza), cotovelo também não me parece muito simpático. Boca, por sua vez, é uma palavra linda. Barriga talvez pudesse ser outra palavra bonita, não fosse sua desagradável existência. Nariz é meio engraçado, e olho é uma palavra estranha. Cu eu passei a gostar. Nada como um belo impropério ( hihihihi... impropério.. essa palavra acho que usa até bengala!) envolvendo apalavra cu. É forte, é belo. Aliás, não há nada como palavrões bem empregados. Enchem a boca, são palavras exatas, certas, cheias, para serem usadas com cuidado, sem desperdícios.

E a palavra que menos aceita facilidades, como já dizia o velho e bom Drummond, é a palavra amor. Principalmente o verbo, que deve ser conjugado e proferido com toda cautela e economia. Não facilitemos, não desperdicemos a palavra, senão ela se vai. Economizo muito, se digo que amo alguém é para valer, e digo só de vez em quando. Uma palavra para ser guardada.


Um professor de história tinha implicância com a palavra resgate. Sentia verdadeiros arrepios ao ouvir alguém proclamando o resgate da memória de sei lá que lugar. Já o ouço falando: quem resgata é bombeiro!!! todos sabíamos, dessa reação. ai de quem viesse com esse papo de resgate.

E há as palavras que são tão belas em si mesmas que você nem precisa saber direito o que significam. Anêmona. Palavra linda, tem nome de princesa. Se fosse fazer um filme de ficção científica, colocaria sem dúvida uma Princesa Anêmona na história. Alheio acho uma palavra bonita, leite é lindo também, sem falar de Liquidificador.

E duas das forças mais misteriosa da minha vida, pois nunca sei qual é qual mas me delicio nos seus sons: força centrípeta e força centrífuga. Acho lindo.

Há palavras que a vida estraga. Espinafre poderia estar na mesma categoria de atum e bidê, palavras engraçadas, que dariam bons nomes de cães, mas um dia na infância passei mal comendo espinafre ao molho branco, e adeus. Acabou a palavra espinafre prá mim. Já fico meio enjoada só de escrevê-la aqui.

E os nomes que, pela vida, ficam irremediavelmente perdidos ou redimidos, dependendo das pessoas que os carregam? Fulaninho, por exemplo, adorava o nome Beatriz, lindo forte, cultivava-o como um tesouro, reservava-o para o dar, um dia, a sua filha. Até o momento que conhece uma Beatriz, e ela é insuportável, tem uma voz irritante, fica mexendo no seu cabelo, lhe dá o fora, ri do tamanho do seu pinto. Pronto. É o fim da palavra Beatriz na sua vida. Pinto é uma palavra meio engraçada também, não combina muito com a coisa, fico com pau mesmo.


Há as palavras da infância, lindas gostosas, os nomes que nossos pais nos chamavam, delícia de ouvir. Luluzinha Pituquinha.

Palavras que refrescam, água por exemplo, gelo, piscina, cachoeira. Palavras esquisitas, como merthiolate, palavras aflitivas. Para mim, pus é aflitivo, assim como a palavra vômito, palavra feia, coitada.

Margarida é bonita. Giz é uma palavra linda, podia ser o novo nome de algum filho de algum cantor baiano desses meio cabeça, que falaria assim na entrevista: meu filho se chama Giz. Tom Giz.

Cadafalso é uma palavra muito legal. E barata, apesar do bicho, me parece bacana também, embora seu irmão macho, o barato, seja irremediavelmente anos setenta demais.

E se esse post estiver parecendo uma grande viagem assumo, e corro os riscos. Mas gosto de ouvir palavras. Tenho afeto por elas, sinto-me assim quase em dívida, morro de vergonha quando as trato mal.

e vocês, quais as palavras bonitas e quais as feias na vida de vocês?


Beijos,
Lulu.


p.s. : coloquei esse post prá cima porque queria saber mais das palavras feias e bonitas da vida de vocês. :)


updeite: frase com as palavras lindas minhas e da fá, que faz parte do nosso conto de fadas. Quem quiser, pode completar!! ::

"O Príncipe Numinoso casa-se com a Princesa Anêmona e viveriam junto a um lago repleto de nenúnfares e ninfas e faunos. "

domingo, 1 de abril de 2007

A cor não é transparente

Revoltante o Mais desse domingo sobre a questão da discriminação de brancos contra negros ( e inverto a chamada de capa propositadamente) no Brasil.

E junto, intelectuais avaliam se o sistema de cotas deu certo no país. Questão: há um sistema de cotas nacional? de que sistema de cotas se está falando? Em quais lugares e de que maneira ele foi implementado? Nas universidades em que foi implementado ( e de maneiras bem distintas), o sistema já está em curso há tempo suficiente para se fazer avaliações assim categóricas?

Claro que nada disso importa, assim como não importa ouvir com cuidado as declarações de nossa ministra, que colocou com palavras infelizes o fato importante e óbvio de que a tendência é a de que o explorado sinta sim raiva do explorador. Importa a simplificação, importam os rojões de uma elite branca que sente-se no direito de comemorar: viu??? também somos vítimas de preconceito!! e aliás do que Eles estão falando? Não existe negros nem brancos mesmo no Brasil... somos todos essa mistura liinda... O que existe são pobres e ricos...
sei.
A antropóloga Yvonne Maggie disse assim:
"A maior parte do povo brasileiro não se pensa como negra mas, sim, como misturada e não quer ficar ficar presa a uma classificação rígida"
Claro... Somos todos morenos, morenos mais escurinhos ou menos, todos iguais idênticos, até porque é meio feio falar que tal pessoa é negra, não é mesmo?
Não sei como a maior parte do povo brasileiro se vê, mas sei que a maior parte dos negros é sim vista como negra, a cor não é transparente e carrega consigo uma história que aqui é a história de um país escravista, tradicionalista e autoritário. O negro é sim negro. E isso implica sim um tratamento desigual, que se revela no dia-a-dia, nas pequenas e grandes coisas. Quem não vê isso é porque não quer ver.

O apagamento da cor é muito perigoso, porque retira da vítima do preconceito seus direitos de vítima e retira do perpetrador o seu crime, afinal... argumento também presente nas páginas do jornal, quem fala de racismo é que é racista, já que já foi provado que não existem raças humanas, não se pode mais falar de racismo.
Ora... Façam-me o favor! esse foi exatamente o argumento usado por um juiz do sul ao absolver um editor anti-semita: não existe racismo, pois não existem raças, portanto não há como se aplicar a lei anti racismo. Seria risível se não fosse trágico.

Eu, branca, nunca fui barrada na porta de lugar algum, nunca fui vítima de batidas policiais por estar simplesmente andando na rua, nunca acharam que eu fosse a empregada, a babá ou a faxineira de algum lugar, nunca me indicaram o elevador de serviço... nunca me olharam torto por causa da minha cor, e a cor da minha pele nunca foi sinônimo de ofensa, de feiúra, de coisas ruins. Na adolescência, namorei um tempo com um homem negro, e fomos uma vez parados pela polícia. Claro... coincidência...

Não existe racismo nesse país.

O Luiz Mott tem o displante de dizer:
"Eu próprio já fui chamado de branquelo azedo. Nunca ouvi nenhum branco chamar negro com termos preconceituosos de antigamente"
Antigamente quando? Revoltante. Eu teria vergonha.


Primo Levi, em seu extraordinário livro Os afogados e os sobreviventes fala do desejo de simplificação que assola nossas mentalidades. Ele diz assim :

" aquilo que comumente entendemos por "compreender" coincide com "simplificar": sem uma profunda simplificação, o mundo ao nosso redor seria um emaranhado infinito e indefinido, que desafiria nossa capacidade de nos organizar e decidir nossas ações. Em suma, somos obrigados a reduzir o cognoscível a um esquema: tendem a esse objetivo os admiráveis instrumentos que construímos no curso da evolução e que são específicos do gênero humano, a linguagem e o pensamento conceitual. (...)

A história popular, e também a história tal como é tradicionalmente ensinada nas escolas, se ressentem dessa tendência maniqueísta que evita os meio-tons e a complexidade: são propensas a reduzir a torrente dos acontecimentos humanos aos conflitos, e os conflitos a duelos, nós e eles, os atenienses e os espartanos, os romanos e os cartagineses. Decerto, este é o motivo da enorme popularidade dos esportes espetaculares, como o futebol, o beisebol e o pugilismo, nos quais os contendores são dois times ou dois indivíduos, bem distintos e identificáveis, e nos fim da partida haverá os derrotados e os vencedores. Se o resultado é o empate, o espectador se sente fraudado e desiludido: num nível mais ou menos inconsciente ansiava por vencedores e perdedores, identificando-se respectivamente com os bons e os maus, porque são bons o que devem levar a melhor, senão o mundo estaria de pernas pro ar." ( Levi, Primo. Os afogados e os sobreviventes)

Um caderno cultural de um jornal que se quer sério não pode render-se ao desejo de simplificação. Sim, a Folha de SP sempre cai nele, pois ao desejo de simplificação soma-se o desejo da polêmica fácil e rasteira, aí faz-se a festa. Mas achar que é possível já fazer julgamento sobre se o sistema de cotas no país(??) deu ou não certo ( ???) é rasteiro e irresponsável demais.
Fazer um caderno inteiro sobre a questão do racismo onde a maioria dos entrevistados retira essa questão do centro do problema substituindo-a por questões de desigualdades sociais, ou de preconceitos mil, é demais.

A cor não é transparente. A opção sexual ou religiosa das pessoas, tão pouco. Diminuir esse fato é colocá-lo debaixo do tapete e perpetuar as diferenças e as violências. Há sempre uma vontade brasileira de apaziguamento dos conflitos, pautada no nosso celebrado jeitinho em uma suposta abertura, uma suposta democracia.

O homem cordial, do qual fala Sergio Buarque de Holanda, nos Raízes do Brasil, é inúmeras vezes mal lido e mal entendido como o homem gentil, que não quer briga, que deixa prá lá, do apaziguamento, que é todo afeto e amor. Que nada, está lá no Sérgio, o homem cordial é violento, violentíssimo.
É o homem, ou a mulher que chama a empregada de "da família" enquanto a coloca para trabalhar das seis da manhã às dez da noite e a coloca para dormir em um quartinho onde não caberiam os armários e lhe paga um salário de fome. É o homem que brada "você não sabe com quem você está falando?" Que bate na mulher com quem dorme. E que completa todas as suas frases com "meu querido...". "meu amor..."

A violência escondida, silenciada, mascarada é terrível. Ao meu ver, incomoda a lembrança de que sim, os negros foram açoitados, foram escravizados, são discriminados. De que sim há conflitos. Que há sim negros e brancos, que uns estão no poder desde que o Brasil é Brasil, outros não, outros foram escravos. Que as coisas são mais difíceis e complexas do que uma simples mistura.

É hora de olhar para o mundo com um pouco mais de humildade, ouvir e parar para pensar, sem que sucumbamos ao desejo de simplificação.


Em tempo: o único argumento apresentado no Caderno, que supostamente invalidaria o sistema de cotas do Brasil é o de que muitas das vagas reservadas para cotistas ficam ociosas. Toda universidade pública tem muitas vagas ociosas, esse é um problema das universidades, que não se resume às vagas para cotistas.


e sobre a questão das cotas e da declaração da ministra, leia as excelentes e lúcidas colocações feitas no Biscoito Fino, que inclusive nos deu a honra de linkar esse escrito aqui. Aqui