domingo, 8 de abril de 2007

sim, às vezes.



sim, não faço nada e me canso, quero emagrecer e como; cheia de gente em volta, sinto-me só; cheia de amores, fico carente; cheia de vida, sinto saudades.

Sonho um monte e esqueço tudo, me organizo toda e estou sempre na última hora do último dia do último prazo.

Esqueço os nomes dos alunos, esqueço quem conheço, esqueço o que fiz ontem.

Em cada espelho que olho, me pareço ser uma pessoa diferente, e em alguns, mal me reconheço. Sou uma prá cada espelho, uma coisa. Me olho em todos os espelhos por quais passo. Não sei direito como sou. Não tenho a menor idéia. Fico surpreendida, às vezes me assusto, às vezes gosto, às vezes não.

Olho muito as pessoas, reparo no sapato, no conjunto, no rosto, no corpo, no jeito, olho e já vou inventando histórias. Se estão conversando ao meu lado, fico bem quietinha, que é para ouvir melhor. Se estão lendo, dou um jeito de olhar a capa, se estão escrevendo, morro de curiosidade.
às vezes não quero falar nada, com ninguém, e passo o café da manhã inteira lendo jornal em silêncio, sem nem ao menos comentar as tirinhas do Angeli. Especialmente aos domingos. Tomo um café carioca duplo - café fraco mas muito. Tomo café sem açúcar, sempre.

Penso, penso, penso, penso. Sem parar. às vezes acho que vou enlouquecer de tanto pensar, aí sento e escrevo, que é para ver se me esvazio um pouco, se me organizo, se dá para continuar.

Não cabe muito, aqui, em mim. Às vezes não cabe mais nada, às vezes fico toda vazia e queria o mundo inteiro , e mais um pouco.

Sinto um monte, o tempo inteiro, e às vezes emboto meus sentidos, que é para aguentar, às vezes me solto, para sentir muito e mesmo. às vezes meu corpo inteiro sente tudo, e é bom.. Sou pele, carne e osso.
e às vezes parece que não sou ninguém, que mal existo e fico translúcida.
às vezes fico tarada, às vezes até esqueço da coisa. às vezes só leio coisas boas, às vezes só quero saber de revistas estúpidas

às vezes acordo triste que nem sei, depois vou trabalhar e tudo acaba ficando melhor. às vezes desconecto do mundo, e fico despenteada o dia inteiro, como uma louca, passo o dia descalça e de pijama. Não tenho pijama, cada dia durmo de um jeito. Eu gosto de camisolas, e gosto de dormir com as camisetas usadas dele. Gosto de calcinhas, de algodão e de rendadas. às vezes fico sem calcinhas, é fato.

Tenho medo de banco, caixas eletrônicos, secretárias, burocracias, pagar contas e tudo. Não sei, não entendo, não funciono e tenho medo. às vezes muitas vezes chegam cartas do banco, demoro uma semana para abrir.

Meu celular num funciona há um mês. às vezes acho bom, quase sempre acho bom.

às vezes acho viver uma dificuldade sem fim, não acho ruim, mas fico pensando que dá trabalho, sair, escovar os dentes, conversar com as pessoas, falar oi tudo bem? e ouvir a resposta. às vezes tudo isso é um baita esforço. Às vezes não há nada melhor.

às vezes, quando mal, vou ao cinema e fico lá, e depois entro em outro filme e depois em outro. Gosto de andar, gosto de andar por São Paulo. Gosto de fazer tipo. Queria ser natural.
às vezes fico querendo ser normalésima, às vezes, ser excêntrica como uma atriz russa, de teatro, com sotaque e fumando cigarrilhas. às vezes queria ser uma garota aí, às vezes uma diva.
às vezes fico sem escrever. Não posso, não devo. escrever me ergue.

às vezes tenho vontade de sair para dançar sozinha, e fico sem coragem.
às vezes tenho vontade de escrever e não escrevo, ler e não leio. às vezes fico com vontade de sair e não saio, fico com vontade de amar e sou egoísta. tenho vontade de falar não, e não falo.

Outras vezes, sou exata. E tudo parece se encaixar, até eu, em mim mesma. Outras vezes, num caibo ( :) ) , nem em mim, nem em nenhum lugar, e fico triste. às vezes fico triste de chorar sozinha num canto, por nada, nem nada; às vezes acordo bem e vou andar e fazer o que tem que ser feito e olho as pessoas e sei falar de novo. Tenho ataques de riso e acho tudo engraçado.
às vezes o mundo me arrrasta, e às vezes isso é bom. às vezes queria poder ficar quieta, e sou até meio grossa. depois fico pedindo desculpas, mentalmente, por horas, até poder falar. às vezes fico chatinha, de propósito, e às vezes sou uma rainha má e bela, outras vezes cuido muito. Peço colo, dou colo. Beijo sempre, muito.
Às vezes não quero parar de escrever.


E tem dias, alguns dias, nos quais me dou conta de estar viva, e meus olhos se enchem de lágrimas porque acho isso bonito.





11 comentários:

  1. As vezes eu acho que só eu me sinto assim, aí eu vou aí numa esquina virtual qualquer ou converso com meus botões e descubro que no mundo todo todo mundo é assim. Uns mais outros menos, aí eu fico me sentindo bem mal por me dar importância e achar que sou diferente. Mas aí, no outro dia, ou no outro segundo, que dá na mesma, afinal, encontro pessoas tão bestas que volto a me achar maravilhosamente diferente e especial, até ir numa esquina virtual qualquer e começar todo ciclo novamente...

    Um dia ainda quebro este círculo vicioso...

    Janaína.

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  2. Resumindo, você é humana, uai!
    Que bom!
    Belo post.

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  3. Me identifico com várias coisas que vc escreveu...
    Entre outras coisas, o café sem açúcar - não consigo é entender como as pessoas conseguem tomar com açúcar ou (pior ainda) adoçante.
    É tudo muito humano, muito verdadeiro. Quem parar pra olhar um pouquinho pra dentro de si mesmo, pelo menos de vez em quando, vai se identificar.Beijos

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  4. Adorei seu texto, Lulu! E foi esta canção que me ocorreu, gravada por Fafá de Belém (com o belo piano de Wagner Tiso), no songbook do Gil (clique no título, pra ouvi-la):


    Eu Preciso Aprender a Só Ser
    Gilberto Gil

    Sabe, gente
    É tanta coisa pra gente saber
    O que cantar, como andar, onde ir
    O que dizer, o que calar, a quem querer

    Sabe, gente
    É tanta coisa que eu fico sem jeito
    Sou eu sozinho e esse nó no peito
    Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder

    Sabe, gente
    Eu sei que no fundo o problema é só da gente
    É só do coração dizer não quando a mente
    Tenta nos levar pra casa do sofrer
    E quando escutar um samba-canção
    Assim como: "Eu preciso aprender a ser só"
    Reagir e ouvir o coração responder:
    "Eu preciso aprender a só ser"

    Bjo,
    Clélia

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  5. Janaína,
    sabe, eu fico achando que somos todos singulares e bastante parecidos, ao mesmo tempo.E que tudo bem. Adoro quando vc vem prá cá.
    Um beijo,
    Lu.

    Dis,

    pois é...
    :)
    ai, ai...
    beijo,
    Lu.

    Rê,

    obrigada.

    Clélia,
    já falei que suas canções enfeitam o diário??

    beijos a todos,
    Lulu.

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  6. Falou, sim. E eu fico feliz com isso...

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  7. Eu sempre venho pra cá, mas dificilmente comento.

    E as vezes comento, mas o comentário não vai, aí escrevo de novo e não vai e aí desisto e fico com raiva.

    Mas sempre leio tudo.

    e Sempre gosto.

    Janaína

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  8. Agora, sim, você cai direto na música, do GOEAR, clicando aqui: Eu Preciso Aprender a Só Ser

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  9. Janaína, Arnaldo, Clélia...
    :)!!!!
    obrigada, mesmo.

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