sábado, 28 de julho de 2007

às vezes, o tempo.

e às vezes parecia que a vida mal bastava, que tudo estava já feito e programado desde o sempre e não, não havia espaço para surpresas ou novidades, e não, não bastava, não era suficiente e se queria mais. Era um pouco injusto, era um pouco injusta, ficava até sem jeito de querer tanto, ela que tinha tanto e tanta sorte, mas fazer o quê? pior era a possibilidade do desperdício dos dias, de si. Queria um desconforto, queria uma corda bamba, o chão e o norte eram bons também, mas às vezes era bom sentir que lhe tiravam do eixo, que lhe enfraqueciam as pernas. Queria o escuro do não saber onde vai dar, queria que o tempo passasse depressa, muito rápido, pois a espera de que tudo acontecesse às vezes era tão difícil. Às vezes era só impaciência, e queria tudo ao mesmo tempo, e até respirar ficava difícil. Às vezes tinha a impressão de que podia viver numa eterna festa, e dançaria, e dançaria, até ficar molhada de suor, as mãos para cima, e dançaria a noite inteira, e aguentaria mais, sempre. Ou então, ou então podia viver numa eterna sessão de cinema, vendo ininterruptamente os filmes mais lindos da sua vida, chorando e rindo, e comendo pipoca, e beijando a pessoa amada, cada filme com uma pessoa, de uma fase da sua vida, família, amigos, amores, e ela diria: lembra? e se emocionaria, pelo filme, por si mesma.
Ou então, ou então, podia viver num pilequinho absoluto e contante, não num porre de passar mal mas assim meio flutuando, meio irresponsável, jogando charme para as paredes, meio boba e bem atenta e rápida, do jeito que ficava quando bebia um tanto. Ou então, ou então, em meio ao cansaço bom do exercício, o corpo suado, aquele instante onde o fôlego recuperou-se e o coração entrou numa constante batida acelerada, como uma espécie de transe, e depois sente-se bem. Ou então, ou então, podia viver o tempo inteiro de amor. Amor não, hoje podia viver o tempo inteiro de paixão. porque amor era para outras vezes. e às vezes, hoje, o tempo deveria ser mais rápido.

4 comentários:

  1. Viviana Fernandes29 de julho de 2007 06:49

    Lulu ( ou devo chamá-la de Alex ou de Sérgio?).

    eu fico sempre super-intrigado com homens que se fazem passar por mulheres assinando blogs como tais. Pq isso se dá? Freud explica?.... lendo seus posts com atenção, eu percebi que vc não pode ser mulher, derrapa justamente nos pontos cruciais do engôdo. Não quero supor que vc seja portuguesa (as mulheres portuguesas na net usam pseudônimos em INGLÊS!!! – viva a língua de Camões!!! - e jamais da vida que poriam um só foto delas num blog, afinal, a famìlia portuguesa ainda continua medieval...) e nem tampouco dessas mulheres complexadas com o aspecto físico delas. Só sobra mesmo o fato de vc ser HOMEM. Depois que vi que vc tem outro blog no qua usa um ou dois nomes masculinos, aí eu cheguei à conclusão que vc nem é mulher e nem portuguesa! (risos)

    Mas...explica: pq um homem quer se passar como uma mulher assinando um blog como Lulu ???

    ResponderExcluir
  2. Putz! A Lulu é homem? Como fui tolo! Ela me enganou direitinho!

    ResponderExcluir
  3. Lulu,

    Se vc é homem(hahahahahahahahahaha!) bem vindo ao clube dos sensiveis. Agora sério, lindo seu texto, encantador, me lembrei de um filme, a muito tempo atras: Carlito´s Way. Al Pacino, Sean Pean, um cinema no centro de sp e uma tarde muito, muito louca.

    Beijinho,
    Miranda

    ResponderExcluir
  4. Vc é mesmo maravilhosa!

    AMEI este texto. Ele pulsa...sério.

    Adoro este teu jeito de escrever.

    Abraço.

    Janaína.

    ResponderExcluir